Branding. Leve-o para o lado pessoal.

By 13 de dezembro de 2016 Sem categoria No Comments
personal-branding-marca

Acredito que marca é acima de tudo uma identidade e como tal, é formada por atributos que a tornam capaz de despertar admiração, confiança, preferência e valor econômico para um produto, serviço, organização ou pessoa. Organizar estrategicamente esses atributos, bem como outros elementos que compõe a identidade e que possibilitam gerenciá-la, é o que chamamos de branding.
Nesse artigo vou escrever sobre a importância do personal branding no contexto atual. Dizer que tudo está mais veloz, dinâmico e instável é chover no molhado, por isso vou descrever 12 consequências relacionadas ao cenário atual e que ficarão cada vez mais evidentes no decorrer do tempo.

1. O elemento diferenciador de um profissional passou do conhecimento para a atitude.
A facilidade com a qual acessamos informação facilita o desenvolvimento do conhecimento e isso tem afetado de forma crescente a maneira como as empresas estão recrutando e também o olhar pelo qual avaliamos um profissional no nosso dia a dia. Anos atrás, se uma amigo indicasse um arquiteto e ao conhecê-lo você fosse tratado com arrogância ou pouca atenção, talvez você engoliria seco e, pela dificuldade de encontrar outros, o contratasse apoiado na indicação. Isso mudou. Em primeiro lugar você pode acessar as redes sociais e encontrar uma quantidade muito maior de opções para comparar portfólios e informações técnicas relacionadas. Em segundo, também nas redes sociais, você pode pesquisar o que falam sobre esse profissional. Se hoje é mais fácil encontrar opções de bons profissionais, parece óbvio que não toleramos mais ser tratados com indiferença ou arrogância. A atitude passou a ser mais estratégica do que o conhecimento técnico, até porque tê-lo o transforma em mais um competidor, enquanto a atitude correta faz de você um profissional mais competitivo. Isso vale também para quem quer mudar de emprego. Empresas mais maduras na área de gestão de pessoas, consideram o comportamento, as atitudes e o valores pessoais, no mínimo com peso igual às competências técnicas.

2. As pessoas querem sentir-se realizadas
Há insatisfação quando as pessoas fazem sempre o mesmo do que não gostam. Em alguns momentos pode ser necessário nos submetermos a trabalhar com o que não nos satisfaz por necessidade. Não tem nada de errado com isso, mas o problema passa a existir quando esse período deixa de ser transitório e passa a ser uma realidade sem perspectiva de mudanças. O ser humano quer e precisa se sentir realizado. Buscar a realização está ligado a ter um propósito e isso passa longe da conformidade. As gerações mais novas são as que apresentam maior dificuldade em obedecer ordens sem entender o motivo. As pessoas vão se dedicar cada vez menos para o que não faz sentido para elas. O ser humano busca propósito porque quando chegar lá na frente, quer olhar para trás e ver que contribuiu para algo maior, ou seja, quer sentir-se realizado. É o sentido de propósito um dos fatores de recompensa intrínseca que faz com que o ser humano pule da cama com vontade de fazer acontecer.

3. As pessoas não pagam por um produto ou serviço. Elas pagam por algo capaz de transformar a vida delas para melhor.
Não me venda um carro, venda-me a facilidade do transporte com conforto e segurança. Focar na funcionalidade do produto ou serviço e não no benefício que ele proporciona é a tradicional miopia de marketing. Construir uma identidade (marca), onde os públicos de interesse reconheçam facilmente o benefício da sua oferta, é um dos desafios mais importantes em um projeto de personal branding. Identificar os benefícios que seu público valoriza é um meio para definir uma proposta de valor campeã. Se quiser se aprofundar nesse assunto utilize o Canvas da Proposta de Valor desenvolvido pela Strategyzer. Você vai encontrar mais detalhes no livro “Value Proposition Design. Como construir propostas de valor inovadoras”.

4. O departamento de RH dá lugar para a cultura do desenvolvimento humano.
Já faz algum tempo que o departamento de RH das empresas teve que deixar de ser operacional para ser estratégico. Em algumas empresas, o principal executivo dessa área está ao lado do CEO e não mais abaixo dele. Essa evolução ocorre pela importância do ser humano dentro das organizações. Em um mundo cada vez mais complexo, pessoas com capacidade para pensar diferente, desenvolver novas soluções para problemas antigos e se adaptar rapidamente a novos cenários, passou a ser não só estratégico, mas uma necessidade para continuar competitivo. Sim, o ser humano está em alta. Parece meio piagas dizer isso, mas é a pura verdade. As organizações precisam de profissionais com capacidade de idealizar novas soluções, identificar novas oportunidades, bem como maneiras mais eficientes de fazer o trabalho. Nesse contexto, o departamento de RH ficou no passado abrindo caminho para o desenvolvimento não de uma área, mas de uma nova maneira de pensar e trabalhar com o ser humano. A sua marca pessoal está alinhada com essa evolução?

5. Saber se conectar presencialmente será cada vez mais valioso.
É comum entrar em um local para tomar café e dar de cara com um grupo de jovens dividindo uma mesa em silêncio, enquanto seus dedos movimentam-se rapidamente sobre a tela do smartphone. Durante um workshop que fiz para um grupo de executivos de marketing, um participante compartilhou a dificuldade que ele estava tendo em fazer com que os mais jovens da sua equipe resolvessem determinados problemas com mais agilidade. Eles tentavam resolver por mensagens de texto e isso fazia com que as soluções demorassem mais do que o necessário para serem definidas. Outro ponto crítico é que quanto mais as pessoas interagem por meio de imagem e texto, mais dificuldades encontram para falar em público. O fato é que nada supera o bom poder de argumentação olho no olho. Nem mesmo a tecnologia mais moderna.

6. Desenvolver ideias originais capazes de gerar valor passa a ser essencial para o crescimento pessoal e profissional.
Ser criativo. Simples assim. Em seu livro “Libertando o poder criativo”, Ken Robinson afirma que todos podem ser criativos. O autor cita: “Todas as pessoas têm a imensa capacidade criativa, consequência natural da condição humana. O desafio está em desenvolver essa capacidade”. Se você acredita que ser criativo é privilégio de raros sortudos, esqueça. A criatividade está aí dentro de você. Vá atrás dela, repense sua marca pessoal, seu propósito e seus objetivos. Experimente ousar. Você vai se surpreender com o que vai descobrir quando se despir do receio de acreditar em suas ideias.

7. Ascensão do empregado com atitude de empreendedor.
Se você acha que não leva jeito para ser empreendedor e prefere ser um profissional dentro de uma organização, eu tenho uma notícia para lhe dar: se você não possui a vocação, trate de desenvolver a atitude empreendedora onde você trabalha. O que isso significa? É ser proativo, estar disposto e disponível para ir além do solicitado, realizar, fazer acontecer, oferecer ajuda sem precisar ser chamado. Entendeu? Não basta ser funcionário. Tem que ter atitude de empreendedor. Isso faz parte da sua marca pessoal?
8. Queda do superprofissional. Ascensão do trabalho colaborativo.
Aquele cara cujo escritório está no topo de uma torre de marfim e quando está em grupo olha todos com um olhar de superioridade, como se estivesse correndo o risco de se contaminar, só existe em contos ao lado da Cinderela e da Branca de Neve. Não há mais espaço para superprofissionais que querem ser os donos da grande sacada, da solução tão almejada. Os desafios estão cada vez mais complexos. Agrupar diferentes talentos e competências e promover um ambiente adequado para encontrar ideias valiosas é o grande desafio, até porque os problemas estão cada vez mais complexos para uma única cabeça pensante. Não interessa quem é o dono da ideia. O que importa é que ela seja encontrada. E rápido!

9. É o fim das carreiras profissionais.
Vivemos em um novo sistema onde as carreiras deixaram de existir. Ninguém mais entra para trabalhar em uma organização almejando se aposentar lá. A empresa é você. Não importa se você é autônomo, profissional liberal ou funcionário de uma organização privada ou pública. Se você é um empregado, lembre-se que se você não trabalhar sua marca pessoal, quando deixar o emprego, muitas pessoas com quem costumava tratar não o receberão simplesmente porque você não carrega mais o “crachá” da empresa. O personal branding passa a ser estratégico em um mundo de trocas e não mais de relações de dependência entre contratado e contratante.

10. Há algo em comum entre o personal branding e um porta aviões.
Por que um país investe em um porta aviões sem saber se um dia irá usá-lo? Pelo mesmo motivo que você deve investir na sua marca pessoal. Para se proteger. Enquanto o porta aviões protege as fronteiras de um país, a marca pessoal protege sua reputação. Você pode ser atingido por uma crise, uma ocorrência comprometedora, mas se a sua marca for consistente e estiver alicerçada sobre comportamentos, resultados e uma imagem positiva, a chance de conseguir uma rápida retomada estará acima da média. Lembre-se: todos nós estamos sujeitos a influência de fatores sobre os quais não temos controle.

11. Comprar a fama ficou mais difícil depois que o público descobriu o poder da intervenção.
As mídias sociais possibilitam que as pessoas opinem. Foi-se o tempo quando se comunicava o que queria sem receber feedback ou até mesmo retaliação. Hoje só há um jeito de conquistar o respeito e a atenção das pessoas. Sendo verdadeiro, honesto, transparente e fiel aos seus valores. Certamente não é todo mundo que vai concordar com suas ideias, mas certamente será respeitado e admirado por quem compartilhar da mesma opinião e reconhecer autenticidade na sua identidade. Quais são os seus valores? Quais alicerces sustentam a confiança nas suas relações?

12. As mídias sociais possibilitam que as pessoas dividam as mesmas opiniões, levantem e defendam bandeiras ideológicas comuns.
Pequenos grupos isolados ganham voz única pela conexão via rede. Ideologias e práticas comuns a grupos conectados ganham amplificação e influência na cultura de massa ou segmentada. Para construir uma marca hoje, seja ela de produto, organização ou pessoa, é necessário identificar essas culturas e suas ideologias. A era do push marketing ainda funciona em alguns casos, mas nem sempre nas mídias sociais. As pessoas não querem se relacionar com marcas que tentam convence-las do que é bom para elas, mas sim com marcas que compartilham da mesma opinião. Isso faz toda a diferença para ganhar engajamento.

Vamos explorar isso um pouco mais. Vamos considerar algumas personalidades e identificar a ideologia por trás da marca pessoal.
Gisele Bundchen:
• Ideologia da marca pessoal: Autenticidade.
• O que expressa: Sucesso é ser você mesmo. Proporciona um sentido de veracidade onde o bonito está em ser espontâneo e fiel a quem você é.
Martin Luther King:
• Ideologia da marca pessoal: Liberdade.
• O que expressa: Lute pelos seus sonhos. Proporciona um sentido de moralismo onde o que é correto e justo sempre vence.
Anthony Robbins:
• Ideologia da marca pessoal: Empoderamento.
• O que expressa: Autonomia mais autoconhecimento. Proporciona um sentido de escolha onde você deve se conhecer melhor para ser mais consciente das suas decisões e potencial.
Defender uma ideologia basta para construir uma marca pessoal plena? A resposta é não. Um projeto de personal branding deve considerar o equilíbrio de 3 fatores. O ser, fazer e gerar.
Imagine um triangulo sendo que em cada ponta está um desses fatores. A marca pessoal plena, representada nesse triangulo, deverá apresentar 3 lados iguais. Se um deles estiver maior ou menor, a marca pode estar comprometida e deve ser ajustada. Você deve estar se perguntando: Mas o que significa cada um desses fatores?
O fator “ser” compreende a personalidade, os valores, crenças, princípios e a autonomia.
O fator “fazer” está relacionado aos conhecimentos, habilidades e atitudes.
O fator “gerar” é a capacidade de oferecer valor por meio de um propósito e de uma ideologia.
Não adianta uma pessoa definir uma excelente proposta de valor sem ter claro quais são seus valores e princípios que funcionam como balizadores de conduta. Assim como também não é adequado ter valores enraizados, mas ser deficiente na capacidade de alcançar os resultados estabelecidos, comprometendo assim o fator FAZER.

Para consolidar o SER, FAZER e GERAR, o projeto de personal branding passa por 3 fases:
Fase 1: Investigação e análise.
Nesta fase a pessoa é convidada a se enxergar e avaliar sua personalidade, seus valores e elementos que constituem as relações de confiança. Neste momento também os concorrentes e benchmarks são analisados para mapeamento dos atributos que compõe as marcas no ambiente competitivo.
Fase 2: Definição de valor.
Este é o momento de definir e entender valor. É a hora de desenhar a visão de futuro, o propósito, bem como o conjunto de atributos, ou seja, associações capazes de gerar atratividade e reconhecimento para a marca. Esses atributos estão divididos em três segmentos:
• Atributos funcionais – relacionados à entrega principal do serviço prestado.
• Atributos relacionais – são os que definem a qualidade das relações com o mercado e com os públicos de interesse.
• Atributos auto expressão – são definidos por arquétipos e facilitam o entendimento das principais características da personalidade da marca.
Fase 3: Consolidação de valor.
Sem um plano de ação é difícil fazer acontecer. É chegada a hora de definir os objetivos, as metas e as estratégias, ou seja, como alcançar os resultados esperados. Nessa fase também são definidas as prioridades operacionais e estratégicas, bem como as métricas de desempenho.
Em resumo, trabalhar a sua marca pessoal em um projeto de personal branding é um desafio estratégico que envolve uma maior reflexão e atenção no entendimento de quem você é e quem deseja ser. É necessária uma capacidade analítica do ambiente competitivo no qual você está inserido e como construir reputação por meio de valores sólidos onde a confiança passa a ser um ativo intangível valioso e estratégico.
Afinal de contas, por que você deve levar o branding para o lado pessoal? Minha resposta é simples. Para buscar a realização pelo quem sou e pelo o que acredito. Mas também quero responder essa questão replicando as palavras de Dee Hock, fundador e CEO Emérito da VISA em seu livro “Nascimento da Era Caórdica”, onde ele escreve que se quisermos triunfar, precisamos avaliar nossos conceitos, ideias e percepções. Na minha opinião, a frase dele é uma perfeita definição do que é personal branding: “Precisamos pensar de maneira diferenciada sobre as nossas próprias habilidades e usá-las da melhor forma possível”. Simples assim.

Gerson Ferreira.
Fundador e gestor da Bronze Branding, uma consultoria que nasceu para ajudar organizações e pessoas a sustentar relevância por meio da plenitude da identidade.

Leave a Reply